Quem tem medo do CAPTCHA?

Você está navegando na Internet, encontra um site bacana e decide: vou me cadastrar neste site. Você acessa o formulário, olha com certa preguiça, mas decide preencher. Tudo vai bem até chegar ao final e se deparar com uma imagem como esta abaixo:

captcha com símbolos

 

Sem imaginar o que preencher e impossibilitado de continuar seu cadastro, você desiste e vai embora. Esse cenário ainda é comum em vários sites, que obviamente têm Captchas menos impossíveis de serem preenchidos, mas que oferecem uma barreira, muitas vezes intransponível para muitos usuários. Mas quem teve a ideia “genial” de colocar isso em um formulário?

A ideia original foi do britânico Alan Turing (e de fato, ele era um gênio)
, cientista da computação e matemático que foi responsável pelos trabalhos de decodificação do código de comunicação secreto nazista durante a segunda guerra mundial. Depois da guerra, suas ideias se desenvolveram ainda mais e é hoje considerado o pai da ciência da computação e da inteligência artificial.

Depois que a guerra se foi, Turing se dedicou à pesquisa e no desenvolvimento de computadores cada vez mais sofisticados. Sua dedicação a estudos de inteligência artificial o levou a criar o “Teste de Turing”, que nada mais é do que um desafio com perguntas que somente um ser humano poderia responder.

O Captcha é uma releitura do Teste de Turing, termo cunhado pelos pesquisadores da Carnegie Mellon University e que significa “Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart”, em tradução livre, algo como Teste Público de Turing Completamente Automatizado para Diferenciar Computadores de Humanos.

No Teste de Turing, uma pessoa administra as perguntas a uma máquina. A interpretação da resposta é humana, enquanto no CAPTCHA, o humano é testado. Mas para evitar que o computador trapaceasse e conseguisse se passar por humano, a tarefa de preencher um Captcha acabou tendo o efeito contrário evse transformou numa tarefa sobre-humana:

captcha com cálculos complicados

 

O CAPTCHA é utilizado principalmente para evitar SPAMS feitos por robôs. A empresa evita os indesejáveis SPAMS, mas acaba perdendo clientes. Pesquisas indicam que o uso de CAPTCHA afeta diretamente a taxa de conversão de sites.

Recentemente, numa bateria de testes de usabilidade em sites de comércio eletrônico, tivemos a oportunidade de observar a maioria dos usuários desistindo da compra por não conseguir preencher o CAPTCHA do cadastro.

Mas se por um lado ter CAPTCHA no formulário pode significar perda de potenciais clientes, por outro, sem o CAPTCHA a empresa pode ter um gasto considerável para limpar SPAMS da base de dados. O que fazer?

Uma das soluções para este dilema pode ser mais simples do que parece. E se perguntássemos algo que somente um computador fosse capaz de “enxergar” e responder? Essa é a ideia por trás dos formulários Honeypot.

A validação é reversa: se o campo aparecer preenchido, é porque foi um robô que o preencheu, uma vez que o usuário não pode vê-lo. Daí basta ignorar a entrada do registro feito pelo robô e todos saem ganhando: o usuário não precisa provar que ele é humano, e você não irá gastar com a limpeza da sua base com spams.

 

Fabio Palamedi
Especialista em Usabilidade