Card Sorting, ciência com uma pitada de arte

O Card sorting é uma técnica de usabilidade rápida e eficaz que permite descobrir como o usuário organiza e classifica as informações que interessam a ele. Consiste em fornecer cartões com itens de conteúdo e/ou nomes de categorias para que os usuários os agrupem da forma que eles consideram adequada.

Pode ser usado para os mais diferentes tipos de interface, desde web sites, a celulares, sistemas, intranets, Uras e TV interativa. Ajuda a responder algumas questões importantes, como:

  • As pessoas preferem ver o conteúdo organizado por assunto, por processo, por área ou segmento de negócio, ou pelo tipo de informação?
  • O quando são similares ou parecidas as necessidades e visões de diferentes grupos de usuários?
  • Quais são as maiores diferenças entre as necessidades desses diferentes grupos?
  • Quantas e quais são (como devem ser nomeadas) as categorias principais?

O método visa obter padrões no modo como os usuários esperam encontrar as informações que eles estão procurando. Esses padrões estão relacionados ao modelo mental do usuário. Quanto mais entendemos o modelo mental do usuário mais podemos melhorar a “encontrabilidade” das informações numa interface.

Vantagens

  • Execução rápida – em pouco tempo é possível fazer card sorting com vários usuários, individualmente ou em grupos de 3 a 4 pessoas, e conseguir um bom número de resultados.
  • Envolve usuários – é feito com usuários reais, portanto os resultados sempre ficam bem mais próximos da realidade deles.
  • Técnica estabelecida – a técnica vem sendo usada há uns 20 anos por profissionais de UX e AI.

Desvantagens

  • Não é baseado em tarefas – o card sorting é uma técnica totalmente centrada no conteúdo. Há o risco de a organização da informação feita sem a realização de tarefas não ser totalmente usável, por isso, dependendo do caso, é recomendável fazer testes de usabilidade numa etapa seguinte.
  • Resultados podem variar – pode haver resultados muito próximos uns dos outros, como pode haver também uma variação muito grande de resultados, o que dificulta a análise.
  • Análise pode ser demorada – especialmente se houver pouca consistência entre os resultados.

Número de cartões

Não existe número mágico, mas os especialistas dizem que entre 30 e 100 cards funciona bem. Com menos de 30 cartões fica difícil organizar os grupos porque há poucas opções e com mais de 100 cartões o problema é a quantidade excessiva de informações para agrupar, que pode deixar os participantes confusos, tomar muito tempo e ficar cansativo demais.

Execução

Os participantes recebem os cartões, sem uma ordem definida, e devem agrupá-los da forma que acharem melhor. É recomendável fornecer cartões em branco para que os participantes possam acrescentar conteúdos.

Durante o card sorting, o papel do moderador é observar e ouvir. Ele deve ter um caderninho na mão para ir anotando momentos chave, palavras, frases, perguntas que os participantes fizerem durante a discussão etc.

Análise

Analisar os resultados do card sorting é parte sorte e parte ciência, diz a especialista Donna Maurer. A análise pode ser feita de 2 maneiras:

  • procurando por padrões abrangentes entre os resultados
  • usando um programa de análise de cluster

Se o número de cartões for pequeno é possível encontrar os padrões simplesmente colocando os cartões num quadro ou numa mesa, mas se há um grande número de cartões é melhor usar um programa.

Além de buscar os padrões, é necessário ficar atento às diferenças, porque elas podem mostrar informação importante, como:

  • Conteúdos/nomes que os participantes não entenderam
  • Conteúdos que poderiam estar em mais de um grupo
  • Caminhos alternativos para um determinado conteúdo, por exemplo: uma lista de todos os artigos sobre iPad poderia ser criada.
  • O modo como participantes de diferentes perfis trabalharam com as informações

Não há uma receita para fazer análise de card sorting. O importante é os especialistas olharem com muita atenção para os resultados, primeiro de um modo, depois de outro…. e sem querer tirar dali um modelo, pronto, fechado de taxonomia ou de navegação.

Normalmente resultam do card sorting bons caminhos a serem seguidos, nomes e agrupamentos que certamente fazem sentido para os usuários.

É por isso que o card sorting é uma técnica muito eficiente nos estágios iniciais de um projeto ou numa reformulação, porque ele ajuda, dá dicas e mostra caminhos.

A consultoria em Usabilidade e Experiência do Usuário, Mercedes Sanchez Usabilidade e Pesquisa, oferece o serviço de Card Sorting e já o executou para empresas de diferentes segmentos, em diferentes interfaces.

Mercedes Sanchez
Diretora da Mercedes Sanchez Usabilidade e Pesquisa